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PROJETO

Há mais de um ano, tinha início em Guarapuava o programa genomas Paraná

Município foi o primeiro do Estado a promover a coleta de amostras de DNA da população, em um projeto inovador e tecnológico. Ao todo, 4.500 pessoas serão convidadas a participar da pesquisa.

(Foto: Secom Guarapuava)
(Foto: Secom Guarapuava)

Em 2021, o Paraná se tornou sede de um ecossistema de inovação voltado à pesquisa genética e inteligência artificial, aplicadas à saúde. Chamado de Vale do Genoma, a iniciativa foi instalada em Guarapuava como projeto com o intuito de estabelecer um polo de startups na área genômica, englobando meio ambiente e agropecuária.

Pioneiro no Brasil, o ecossistema envolve governo, universidades, empresas e sociedade civil, com participação ativa de pesquisadores de diversas áreas, inclusive de outros Estados. Isto, de acordo com o Programa, contribui para o fortalecimento de parcerias e ampliação de pesquisas em genética. A ideia é prospectar novos parceiros empresariais, priorizando oportunidades de negócios inovadores e a contribuição para a competitividade do setor produtivo paranaense.

Em 18 de abril de 2023, em um encontro que reuniu centenas de pessoas, com destaque para especialistas renomados em diversas áreas do conhecimento, iniciavam em Guarapuava as pesquisas do Programa Genomas Paraná. O município é a primeira cidade do Estado a promover a coleta de amostras de DNA da população, em um projeto inovador e tecnológico. Ao todo, 4.500 pessoas serão convidadas a participar do projeto de pesquisa.

Recentemente o projeto completou um ano de implantação e os avanços prosseguem, conforme destaca o coordenador da iniciativa, David Livingstone Alves Figueiredo.

"A pesquisa genômica em larga escala, associada à inteligência artificial, é o início para a medicina de precisão, onde poderão ser elaborados tratamentos médicos de acordo com as reais necessidades dos pacientes. No futuro, além da prevenção de doenças, os dados genômicos devem auxiliar na definição de terapêuticas específicas, em diferentes especialidades médicas. Neste sentido, Guarapuava e o Vale do Genoma devem despontar com as iniciativas e investimentos que estão sendo feitos no setor. Os principais beneficiados são os moradores", sublinha David.

O projeto Genomas Paraná é desenvolvido na cidade pelo Instituto para Pesquisa do Câncer de Guarapuava (IPEC), em uma parceria entre governo do Estado, com aporte da Fundação Araucária e Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), e apoio da Prefeitura, por meio das Secretarias de Saúde e Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).

"É motivo de orgulho para todos nós de Guarapuava, sermos os primeiros a participar desse grande projeto. A pesquisa servirá para que nós, gestores públicos, tracemos estratégias ainda mais assertivas para promover a saúde dos moradores e consolidar nossa cidade como um polo de estudos em genética", discorreu o prefeito Celso Góes.

PESQUISA DO CÂNCER

Seguindo a linha das pesquisas, com foco na luta contra o câncer, no último dia 8 de maio, Guarapuava deu mais um passo significativo. Na ocasião, o prefeito Celso Góes assinou o Termo de Fomento do Município com o IPEC, que liberou a quantia de um milhão de reais que serão usados nos projetos. Em uma cerimônia marcada pela esperança e comprometimento, Góes frisou os benefícios da parceria para toda a população.

"Esta iniciativa reflete o compromisso da Prefeitura com a atenção básica e a prevenção, beneficiando as futuras gerações", afirmou o prefeito. Ele enfatizou a importância de investir em pesquisa como um fator determinante não apenas para o tratamento, mas também para a prevenção e a cura do câncer, uma doença que afeta milhares de pessoas todos os anos no País: "Nosso objetivo não é apenas tratar o câncer quando ele surge. Nós vamos trabalhar incansavelmente para evitar que ele se desenvolva. Investir em pesquisa como é o caso do Programa Genomas Paraná, que tem nosso total apoio, é investir no futuro de nossa comunidade, é garantir que as próximas gerações tenham acesso a tratamentos mais eficazes e, quem sabe, até mesmo a uma cura definitiva para essa doença tão devastadora. Estamos comprometidos em oferecer todo o suporte necessário para que iniciativas como esta possam prosperar e fazer a diferença na vida de tantas pessoas", detalhou Góes na ocasião.

SOBRE O PROGRAMA

O Programa Genomas Paraná tem o objetivo de entender as características da população do Estado, levando em consideração a saúde, o ambiente em que se vive, o estilo de vida, o histórico familiar e o perfil genético de cada pessoa. O objetivo é identificar e compreender as características genéticas e epidemiológicas da população, auxiliando também o setor público a promover programas e políticas de saúde.

A abordagem verificará a relação dos genes com um conjunto de doenças que podem ser adquiridas ao longo da vida, devido a interação com o ambiente, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Essas informações serão armazenadas em segurança e sob sigilo para futuras análises dos pesquisadores. Se forem identificadas doenças genéticas, os voluntários serão informados.

A meta inicial é atingir quatro mil e quinhentas pessoas acima de 18 anos, que representem a população de Guarapuava. Destas, algumas são selecionadas por sorteio e outras, se cadastraram como voluntárias. Deste grupo, são convidados quinhentos idosos com idade maior ou igual a 80 anos e cognitivamente saudáveis.

O Programa Genomas Paraná beneficiará órgãos públicos de saúde, gestores e profissionais da área, assim como instituições de ensino e pesquisa (graduandos e pós-graduandos, professores, pesquisadores) e a população em geral. Além disso, o Projeto está inserido no Genomas SUS (Sistema Único de Saúde), que é uma rede acadêmica que visa a caracterização dos aspectos genômicos que impactam o processo saúde-doença na população brasileira. O Genoma SUS foi criado em 2023 por pesquisadores de várias universidades públicas e recebe financiamento do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS) do Ministério da Saúde, em convênio com a Fundação de Apoio ao Ensino Pesquisa e Assistência HCFMRP/USP.

Desta forma, o Projeto está inserido também no contexto do Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão (Genomas Brasil), que é uma iniciativa do Ministério da Saúde consolidada pela portaria n°1949 de 4 de agosto de 2020, com a finalidade de fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico nacional. A iniciativa visa ainda, estabelecer modelos práticos e suscetíveis de implementação no SUS e propõe sequenciar vinte e um mil genomas brasileiros das cinco regiões geográficas do País no seu primeiro ano de execução, garantindo representatividade genômica, demográfica e de ancestralidade desses locais. Posteriormente, as informações genômicas e fenotípicas serão compartilhadas em todo o território nacional.

ETAPAS

Depois da aceitação para o Programa, a pessoa responde a um questionário. Na sequência, ela faz a doação de amostras de sangue, saliva e fezes. O material é coletado por um laboratório credenciado pelo programa.

Só então, serão encaminhadas as amostras ao IPEC, onde será feita a extração de DNA, RNA e proteínas. O material biológico será armazenado no instituto para posterior análise por sequenciamento genético.

Um desses sorteados e que aceitou participar da pesquisa, foi o carteiro aposentado João Carlos de Jesus, de 61 anos. Morador do Bairro Santa Cruz, ele disse que se sente muito feliz em fazer parte deste projeto e contribuir para com a saúde do Paraná e do Brasil. Conforme ressaltou, a credibilidade das instituições envolvidas no projeto foram pontos fundamentais em sua decisão. "Eu conheci esta pesquisa assistindo à televisão. Por isso, eu tive a certeza de que se tratava de um programa sério. Aí, depois que conferi os panfletos e notei as instituições responsáveis, me senti muito mais confiante. Por isso, quando recebi este convite para participar, me senti muito feliz e honrado. Acredito muito nesta iniciativa e acho uma coisa benéfica para Guarapuava. Porque quando sabemos da existência de uma doença ou da possibilidade de um problema, fica muito mais fácil tratar e prevenir. Isto é captação de informação e só quem se informa, consegue prosseguir e resolver os problemas que surgem. Informação é fundamental. Sei que desta pesquisa virão coisas boas para nossa população", pondera.

David Duarte Lima, professor da Universidade de Brasília (UNB) e diretor do Instituto Opinião, que realiza as entrevistas, disse da importância deste mapeamento para o Paraná e para o Brasil.

"A pesquisa Genomas Paraná tem por objetivo conhecer o perfil genético de toda a população. Isto vai auxiliar muito, tanto na descoberta e na identificação de riscos e de potenciais agravos à saúde desta população, assim como, no tratamento de doenças, especialmente no tratamento preventivo dessas patologias. Com o aparato tecnológico que se tem hoje, com o apoio deste excelente instituto que é o IPEC, que possui métodos e aparelhagens sofisticadíssimas para o tratamento desses dados, de forma sigilosa, sem identificar ninguém, toda a população será beneficiada. Serão entrevistadas 4500 pessoas de Guarapuava, algumas, as mais idosas, terão uma atenção especial. Pelo menos 500 voluntários acima de 80 anos participarão do projeto. Esta é uma pesquisa de vanguarda para que o Brasil, por meio desses institutos parceiros, possa se inserir em um mundo cada vez mais sofisticado para benefício de toda a população", discorre David.

As pesquisas do Programa Genomas Paraná seguem pelos próximos 10 anos. "Nós incentivamos a adesão dos moradores a esse grande projeto que no futuro nos trará dados sobre características da nossa população. Isso vai ajudar no direcionamento de investimentos públicos, resultando, assim, em maior qualidade de vida da população", explica a secretária de Saúde de Guarapuava, Chayanne Andrade Ceroni.

PESQUISA GENÉTICA

Diversas características presentes no organismo humano são determinadas por informações que estão no corpo desde o nascimento, sendo a maioria recebidas dos pais. Contudo, existem outras características que aparecem conforme se vivencia experiências de vida. São essas informações juntas que tornam cada pessoa única.

Os dados presentes desde o nascimento recebem o nome de "genes", que em seu conjunto permitem o saber sobre a genética. De acordo com os cientistas, o conhecimento sobre estes genes é de extrema importância para a medicina de precisão, uma vez que esta promove uma abordagem em evolução para prevenção e tratamento de doenças embasadas em informações individualizadas sobre dados genéticos, clínicos, ambiente e estilo de vida de cada pessoa.

Na prática, este campo da medicina compreende cuidados antecipados para evitar doenças. Entre as medidas preventivas de saúde, por exemplo, é possível incluir o uso de medicamentos, a aplicação de vacinas e a identificação de fatores de riscos que podem tornar as pessoas mais propensas a determinadas patologias.

"Hoje, Guarapuava já se destaca em diversas pesquisas, principalmente nas áreas de agricultura e saúde. Isso, graças à convergência que existe entre a tecnologia e a vocação do Município. Por isso, estamos nos tornando referência para o Brasil, atraindo pesquisadores e investimentos públicos e privados, para desenvolver produtos e soluções inovadoras", destaca o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Guarapuava, Sávio Denardi.

GENOMAS PARANÁ

O Programa Genomas Paraná é uma iniciativa inédita de pesquisa científica e tecnológica no Brasil, que pretende descrever o perfil genético e epidemiológico da população.

A equipe envolve mais de cem pesquisadores da Rede Paranaense de Pesquisa Genômica, que reúne instituições de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, públicas e privadas, do Paraná e de outros Estados.

O estudo pretende sinalizar um conjunto de fatores de riscos para determinadas doenças, como por exemplo, os problemas cardíacos. A ideia é embasar estratégias de medicina de precisão, área interdisciplinar que alia ao perfil genético dos pacientes, os aspectos convencionais de diagnóstico e tratamento, como sintomas, história pessoal e familiar, e exames complementares.

O projeto recebeu aporte de R$ 3,12 milhões do governo do Estado, sendo metade, R$ 1,56 milhão, da Fundação Araucária e o restante do Fundo Paraná, dotação gerida pela Superintendência-Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), para o fomento científico e tecnológico paranaense. Os recursos estão compartilhados entre as Universidades Estaduais do Centro-Oeste (Unicentro) e de Ponta Grossa (UEPG); a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e o Instituto para Pesquisa do Câncer (IPEC) de Guarapuava.

A iniciativa é do governo do Paraná, por meio da SETI e da Fundação Araucária e conta com o apoio da Prefeitura de Guarapuava. Além disso, os trabalhos integram professores e pesquisadores da Unicentro, da UEPG, da UFPR, do IPEC e da Universidade de São Paulo (USP).

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